Dr. Juan Victor Paiva

LITÍASE URINÁRIA

A litíase urinária (ou cálculo renal) é uma afecção muito comum na urologia. Estima-se que entre 7 e 13% da população será acometida por cálculos urinários pelo menos uma vez na vida, as famosas ¨pedras nos rins¨. Vale salientar que ter litíase urinária não significa, necessariamente a necessidade de intervenção medicamentosa ou cirúrgica.

Definição

Os cálculos renais (litíase urinária), nada mais são do que a cristalização de sais minerais que ocorrem nos cálices de nossos rins, onde é produzida a nossa urina.

Eles podem variar de tamanho, localização e composição:

  1. Cálculos de oxalato de cálcio: >70% dos cálculos.
  2. Cálculos de Fosfato de cálcio: originados em urina com meio básico.
  3. Cálculos de Ácido Úrico: 8% dos cálculos. Associados a pessoas com Gota e excesso de ingesta de carne vermelha.
  4. Cálculos de estruvita: Associados a infecções do trato urinário. Formam os cálculos coraliformes.
  5. Cálculos de Cistina: ocasionados por um distúrbio genético raro.
litíase urinária

Causas

  • Baixa ingestão de água.
  • Hipercalciúria. Presente em 40 a 75% dos formadores de cálculos. Excesso de absorção de cálcio pelo intestino.
  • Infecções do trato urinário.
  • Ingesta excessiva de sal.
  • Ingesta excessiva de carne vermelha.

QUADRO CLÍNICO

Normalmente os cálculos renais são assintomáticos. O paciente só vai apresentar quadro de dor no rim (cólica nefrética), quando o rim estiver obstruído por algum cálculo.

Usualmente o cálculo que causa a famosa dor, é aquele que migra do rim para o ureter (o canal que leva a urina dos rins até a bexiga). Dependendo do tamanho do cálculo, ele pode impactar no canal e causar hidronefrose (dilatação do rim), provocando assim a dor.

A dor não tem fator de alívio e não é piorada pela posição.

cólica renal

INVESTIGAÇÃO

O diagnóstico clínico da cólica renal e feito pela história e pelo exame físico. Quando há suspeita da presença de cálculos, o próximo passo é pedir exames de imagem.

  • Radiografia de abdome:  possui uma sensibilidade de 60 a 70% para diagnóstico. Dificultada por ausência de preparo intestinal e obesidade. Lembrando que alguns cálculos não são radiopacos portanto ficam invisíveis no exame.
  • USG de abdome: exame não invasivo que complementa a radiografia. Consegue identificar a dilatação do rim e cálculos que não são radiopacos.
  • Tomografia de abdome sem contraste: é o padrão-áurea para o diagnóstico de litíase do trato urinário. Possui 98% de sensibilidade e especificidade. Muito útil para avaliar tamanho e localização do cálculo, podendo assim realizar um melhor planejamento da cirurgia.
tomografia litíase urinária

MANEJO TERAPÊUTICO

Farmacológico

Para tratamento da dor utilizam-se analgésicos, antiespasmódicos, antiinflamatório não-hormonais e até opiáceos, dependendo da intensidade da dor.

Para cálculos menores que 0,7 cm e que estejam próximos à bexiga, a terapia expulsiva está indicada.

A terapia expulsiva constitui-se na prescrição de alfa-bloqueadores (os mesmos utilizados para hiperplasia prostática benigna). Essa classe de medicação tem a capacidade de dilatar o ureter e expulsar o cálculo. Há números que descrevem um sucesso de até 97% com a terapia expulsiva. Lembrando sempre que optar por essa terapia deve ser uma decisão conjunta entre médico e paciente.

Não-Farmacológica

Como já dito anteriormente, a maioria dos cálculos ureterais são eliminados sem a necessidade de uma terapia cirúrgica.

Quando a terapia medicamentosa não é efetiva, partimos para a terapia intervencionista.

Basicamente, hoje em dia, utilizamos dois métodos para resolução de cálculos obstrutivos:

  • Ureteroscopia: a ureteroscopia é um tratamento endoscópico para litíase urinária, no qual um aparelho extremamente delicado e fino, equipado com uma câmera, é introduzido no canal ureteral. Com ele o cálculo é visualizado e fragmentado por energia fornecida por uma fibra laser. Existem dois tipos de ureteroscópio, o semi-rígido que atua em cálculos mais próximos da bexiga, e o flexível, que vai para porções mais próximas do rim, ou até mesmo fragmentam cálculos localizados no próprio rim.
ureteroscopio semi-rígido
ureteroscopio flexível

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